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Behind the scenes: Sessão de Casamento no Deserto do Atacama

 
 

A nossa sessão de casamento no Deserto do Atacama foi uma aventura desde que a pensámos. Temos que confessar que a achamos imperdível. Como esta jornada é tão nossa como vossa agora vamos partilhar todas as peripécias.

Então imaginem lá o que é planear uma sessão no deserto mais alto, mais seco e para nós totalmente desconhecido sem alguém que conhecesse o lugar e fosse profissional na fotografia! Quando tomamos esta decisão sabíamos que era um risco. Por diversos motivos. Porque os nossos fatos de aventura, como gostamos de lhes chamar, não são os mais adequados para conhecer um deserto, porque é diferente ter alguém que nos dê indicações quanto aos lugares e composição fotográfica ou termos que ser nós a idealizar, planear e executar tudo. No entanto quanto maior o desafio, melhor o resultado.

 
 

Quanto a mim nem valia a pena tentar e tive que trocar os meus sapatos de princesa por umas New Balance para conseguir estar à altura do que aí vinha. O André não tinha muitas alternativas, levou o look completo. Vestimo-nos na tenda onde estávamos alojados, no Atacama Loft, e foi daí que começámos a nossa aventura número 536697465.

 
 

Organizámos o nosso material fotográfico e lá fomos nós, vestidos de noivos, com uma mochila às costas onde tínhamos o tripé (o nosso melhor amigo nesta viagem), máquina fotográfica e lentes. Acabámos por perceber que teríamos que ter alguém que conhecesse muito bem o deserto e pelo menos nos conduzisse até aos sítios que já tínhamos selecionado. Então pedimos a dona do Loft onde estávamos alojados para entrar nesta aventura.

 
 

Estávamos no fim de uma tarde de primavera no meio do deserto e era hora de começar. Claro que tudo nos pareceu incrível. As cores mudam a cada meia hora, o azul limpo do céu vai dando lugar aos tons alaranjados que realçam os tons daquelas paisagens. Nós queríamos captar tudo.

 
 

Quando fizemos a primeira paragem, idealizamos a foto e tínhamos umas pedras para subir. Foi aí que começava a ter contornos ainda mais aventureiros este nosso mega desfaio. Eu posicionei-me no lugar previsto e assim que o André pôs o temporizador na máquina e começou a correr, no silêncio do deserto só ouvimos ecoar o seguinte som: “traaaaa”, as calças do André que não eram de treino mas sim do seu fato de noivo rasgaram de um lado ao outro na zona do fecho.

 
 

Não podemos dizer que não ficamos um pouco preocupados, ou não fosse apenas a primeira foto e sabíamos o que tínhamos a fazer, mas temos uma teoria que é: não dramatizar! Naquele fim de tarde adicionámos mais um objetivo à nossa lista, não mostrar nada a mais do que era suposto nas fotos.

 
 

Percorremos alguns dos sítios previstos e quando a lua começou a aparecer no horizonte fomos ao vale com o seu nome onde nos deliciámos com as paisagens, que são tidas como as mais semelhantes ao que será o solo no planeta Marte. Nesta altura caminhar era difícil, o vento ficou forte e empurrava-nos no sentido contrário ao que queríamos tomar. Com tanto tecido para agarrar do meu vestido, não foi fácil.

 
 
 
 
 
 

No dia seguinte pensámos numa estratégia para as calças do André. Decidimos usar uns alfinetes para tentar remediar a questão. Entre tantas corridas, subidas e descidas íngremes claro que os alfinetes iam abrir. E abriram quando o André se ia sentar ao meu lado numa das fotos que tínhamos pensado. Enquanto ele me contava aflito o seu sofrimento, e tentava desembaraçar-se eu não consegui conter a vontade de rir que aquela situação me provocou. Como o tripé já estava a disparar o momento ficou captado e é das nossas fotos preferidas.

 
 
 
 
 
 

Neste dia fomos aos géiseres logo pela manhã onde sentimos um frio tremendo. Os dias no deserto são quentes mas o amanhecer e as noites… Fomos passear por uma encosta de catos centenários, e vimos uma paisagem linda onde pastavam uns burrinhos. Quisemos parar por la mas não podem imaginar filme para caminhar com o vestido sem ficar agarrada a todas as plantas, tive mesmo que pedir uma ajudinha.

 
 

O deserto tem imensas vertentes para serem exploradas e nós adoramos conhece-lo assim. Em toda a sessão o André deve ter corrido bastantes quilómetros, porque eu posicionava-me, por vezes a uma distância considerável dele e os 9 ou 20 segundos era o tempo que ele tinha para chegar ao pé de mim.

 
 

Claro que se torna mais difícil para nós e mais cansativo. Eu perdi o meu ajudante e desta vez tive que caminhar com o meu vestido lindo e enorme, com imenso tecido, num solo em que ora me enterrava ora havia rochas que me prendiam a todo o lado sem qualquer ajuda. O vento fazia-se sentir bem forte e eu tinha a missão também de poupar ao máximo o meu vestido. As vezes só se via a minha cabeça, parecia quase uma couve-flor ou uma pipoca. O meu companheiro e ajudante passou a ser o nosso fotógrafo maratonista equipado numa versão noivo alternativo (ou não tivesse ele um rasgão nas calças desde a barriga até às costas).

 
 
 
 

Durante um dia e meio estas foram as nossas condicionantes e os pontos determinantes que nos levaram a um resultado final genuíno, autentico, muito pessoal e no qual imprimimos perfeitamente a nossa ótica sob aquele lugar.

 
 
 
 

honeymooners, Deserto do Atacama, 11/2017

PS: Já viram a entrevista que demos no canal de TV mais popular do Chile sobre esta nossa sessão? Não percam e vejam tudo neste link: MUCHO GUSTO HONEYMOONERS !!

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